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Westworld – Onde Ninguém Tem alma | Crítica

Ninguém Tem alma… principalmente os humanos.

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Com a ansiedade para a nova série da HBO, Westworld, decidi assistir ao filme de mesmo nome do qual a série é baseada para descobrir a grandeza da obra original e especular por quais caminhos Jonathan Nolan e sua equipe vão seguir na aguardada produção.

No filme dois amigos, Peter Martin (Richard Benjamin) e John Blane (James Brolin), passam as férias no hiper-moderno Parque de diversões para adultos, Delos. Lá foram criados os ambientes da Roma Imperial, Idade Média e do Velho Oeste, todos povoados por robôs perfeitos. Eles optam por este último “mundo”, onde enfrentariam em duelos bandidos e seduziriam belas mulheres (robôs obviamente). Os androides foram programados para satisfazer os clientes sem nunca questionar ou os ferir (onde na teoria eles não possuem consciência artificial), devido a problemas técnicos os robôs dos três “mundos” se tornam assassinos com objetivo de aniquilar todos os humanos presentes no Parque.

Logo no inicio somos apresentados a DELOS a empresa responsável pela criação, gerenciamento e manutenção dos três ‘mundos’, em uma seção de entrevistas para a TV um repórter vai atrás de pessoas para saber o porquê elas pagam 1 milhão de Dolores por dia para terem uma experiência em épocas passadas, e tudo que ouvimos é sobre a perfeição do realismo e do serviço prestado no Park de diversões para adultos, os clientes afirmam que a diária vale cada centavo da experiencia.

Na sequência, uma cena no avião revela os dois personagens principais, que estão a caminho de Westworld, os dois turistas conversam sobre o Park. Enquanto um já foi a mais de uma vez, o outro vai conhecer pela primeira vez um dos mundos de DELOS, nesta mesma cena, que é um dos poucos contatos que temos com a ‘vida real’ no filme podemos ver que o futuro (no caso o presente deles) é retratado de forma fria e dura, enquanto curiosamente o passado extremamente realista é mostrado de uma forma tão magnífica que a impressão que fica é que o futuro é na verdade uma farsa.

Sem enrolar, vamos direto ao glorioso mundo de Westworld, o filme dá pouquíssimas introduções sobre qual é o conceito do parque, a não ser de ‘diversão real’, e logo que conhecemos vemos que de fato é muito perfeito, mas como conciliar tal perfeição com a realidade? Afinal, em um nível de realismo tão extremo como saber quem é um robô ou humano? Bom, a resposta para isto se encontra nas armas e nas mãos dos personagens. No filme os robôs possuem uma falha (provavelmente proposital), suas mãos apesar de terem marcas e linhas assim como as dos humanos, não possuem digitais e são tão artificiais que parecem polidas, como a mão de um boneco.

As armas dos habitantes (tanto humanos, como robôs) possuem um sensor que só dispara para algo frio, onde neste caso os robôs não possuem calor, portanto humanos basicamente não podem ser mortos por armas. Além de tudo o parque é constantemente vigiado pelas câmeras que se encontram em quase todos os lugares.

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Parece que nada pode dar errado, certo? ERRADO!

Aparentemente algum erro de computador ou vírus acabou provocando uma falha em de todos os robôs. Porém o mais curioso é que apenas alguns apresentaram este defeito de imediato. Essa é uma das razões que nos faz acreditar que o ‘defeito’ seria na verdade o alvorecer de uma consciência artificial. Talvez os robôs demorassem um pouco para entenderem o que eles são a partir do momento em que desenvolveram uma consciência, falando hipoteticamente esta consciência ou defeito já estaria em vigor quando os dois turistas chegaram ao parque, ainda mais se considerarmos aquele horripilante olhar brilhante que uma das robôs de um bordel dá após satisfazer um dos turistas, que por a caso é mesmo olhar brilhante que o robô pistoleiro dá ao duelar com este mesmo turista.

Sem me aprofundar muito na história, posso dizer que em nenhum momento é realmente comprovado a ideia de consciência artificial, o filme deixa um final em aberto e fica a interpretação de cada telespectador sobre o que de fato aconteceu. Final em aberto que alias pode desagradar muita gente, que decida assistir ao filme agora, grande parte das perguntas não chegam a ser reveladas e o final é tão pitoresco que chega a ser ruim.

Porém acredito que Westworld tenha sua relevância, em uma época onde nem sequer existiam vírus de computador e pouco se sabia sobre as futuras tecnologias, ‘Onde Ninguém tem Alma’ fez uma breve previsão sobre artefatos do futuro, servindo como uma obvia inspiração para uma das franquias de maior sucesso: Exterminador do Futuro. O filme foi o primeiro a utilizar-se de processamento de imagem digital, ou seja, depois de filmado em película foi transferido para o formato digital, algo que para época já fazia um interessante paradoxo sobre o que o homem pode fazer.

Westworld é não somente um filme visionário, mas também uma crítica ao consumismo e aos falsos ideais que são implantados por desejos sexuais platônicos.

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Além é claro de Michael Crichton dar seu entendimento sobre os perigos da tecnologia e salientar que o avanço pode significar algo ruim, se sair do controle.

Série da HBO

Em 2013 a HBO anunciou que estava desenvolvendo uma série chamada Westworld, logo após adquirir os direitos do filme. O Piloto já estava encomendado. Em novembro de 2014 foi encomendada a temporada completa de 10 episódios, o tempo passou e logo foi anunciado que Anthony Hopkins seria o protagonista ao lado de Ed Harris e Rodrigo Santoro, depois foram anunciados: Evan Rachel Wood , Ben Barnes, James Marsden e Jeffrey Wright, sendo uma das séries mais estreladas vistas até hoje. A previsão de estreia inicialmente era para o segundo semestre de 2015, porém houve atrasos e a série foi adiada para 2016, a produção continua enfrentando seus problemas e polêmicas para fazer a adaptação corretamente.

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A série é descrita como: “Uma odisseia obscura sobre o alvorecer da consciência artificial e o futuro do pecado.”

O orçamento da primeira temporada é estipulado em cerca de US$ 54 milhões, ficando em torno de US$ 5,4 por episódio (Quase o valor da primeira temporada de Game of Thrones). Obviamento, como a produção se estendeu e data de estreia foi adiada, este valor deve ter aumentado muito, por esta razão a HBO pretende lançar a série ainda este ano, e não adiar para 2017. A previsão de estreia de Westworld é para Julho.

Seguindo os mesmo moldes do filme, a série da HBO vai focar neste mundo ficcional do parque de diversões da DELOS, não está claro se haverá os outros ‘mundos’ na série, mas provavelmente só seremos apresentados ao Velho Oeste.

Como já diz em sua própria descrição, Westworld vai se focar no alvorecer da consciência artificial e suas conseqüências em um mundo moderno, onde robôs são como brinquedos para os adultos. Rodrigo Santoro disse em entrevista que a série da HBO é cheia de metáforas! Certamente com o tempo do formato televisivo adequado, a série corrigira os erros do filme e submetera uma imensidão de sub-tramas poderosas que nos fará refletir sobre o relacionamento do homem com a tecnologia, e suas egoístas empreitadas em busca de prazer e satisfação própria.

Com base do que vi no filme, Westworld é o projeto perfeito para ser adaptado na TV, com um maior tempo de duração, JJ. Abrams na produção, Jonathan Nolan no roteiro e a qualidade indiscutível da HBO.